sábado, 23 de maio de 2009

HENRIQUE TAVARES



Tinha um ar de tal modo envolvente que ao primeiro aperto de mão era como se já fôssemos companheiros de qualquer coisa desde há muito tempo. Mostrava-nos a meia dúzia de quadros novos que trazia debaixo do braço, desafiando-nos a declarar se não eram obras primas, fruto de inspirações inimaginadas.
Nunca conseguíamos deixar de comprar uma ou duas das obras a que conseguíamos encontrar sempre novos encantos. Parte das obras víamo-las, ao fim da tarde, num dos cafés mais frequentados da cidade, leiloados a pataco, porque o autor não regressava a cada com nenhuma delas.
Depois Henriques Tavares desaparecia por uns tempos. Ia para casa pintar. Depois ia até Coimbra vender pelos escritórios e cafés. E a Lisboa. Só depois voltava ao Porto, de escritório em escitório peregrinando sempre pelos mesmos sítios, com o mesmo convencimento de sempre, a festejar as musas tão generosas. Quantas colecções ficaram por aqui, em escritórios de advogados, consultórios médicos, secretarias notariais...
Até que sem que ninguém desse por isso deixou de aparecer. Volta e meia alguém ainda se lembra: «Aquele pintor que aparecia por aí...»

1 comentário:

Manuela Graça disse...

Conheci Henrique Tavares por volta de 1964/65. Morava numa "parte de casa" na Rua Sá da Bandeira. Era amigo do meu marido. Um homem de sorriso largo... Que foi feito dele ? Alguem sabe ? teria ja falecido ?

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